Dicas para entrevistar os parentes em busca de informações

xicara de cafe

Em algum momento de sua pesquisa genealógica – geralmente no início – você perceberá que precisará conversar com alguns familiares e parentes mais idosos para conseguir maiores informações sobre seus antepassados: qual a cidade onde nasceu (freguesia para os portugueses,  comune para os italianos, pueblo para espanhóis, dentre outros), onde e quando casou, onde se estabeleceu, dentre outras informações básicas.

Pode não parecer, mas este é um momento importante! Requer alguns cuidados para evitar que sua pesquisa seja frustrada precocemente, pela má vontade alheia (sim, isso acontece muito). Anote aí:

1 – Faça uma lista dos parentes que você precisará entrevistar – priorize os mais idosos, pois terão mais lembranças relevantes, e crie um cronograma de visitas

2 – Entre em contato com as pessoas para marcar as visitas. É importante que ocorram na própria casa da pessoa entrevistada (lá estarão os documentos que ela tiver) e em dias propícios, como finais de semana, em que se poderá conversar sem pressa e preocupação com horários – ou seja, nada de fazer visitas numa terça à noite ou agendar a conversa em um café!

3 – Para que a conversa flua – principalmente se não há proximidade entre ambos – você deverá cativar o entrevistado, de modo que seja um momento agradável, e não somente um inquisitório torturante. Faça uma gentileza levando um bolo ou algo para fazerem uma refeição, e leve também lembranças que você tem, como fotos ou documentos (cópias que poderão ficar com a pessoa, e não originais), que poderão ser utilizados para iniciar a conversa.

4 – Prepare-se para o encontro, levando uma câmera ou smartphone com boa resolução de imagem e memória disponível (logo saberá a razão), além disso, leve papel e caneta para anotações (além das lembranças para presentear e dos quitutes).

5 – Não chegue com uma lista de perguntas robóticas para a pessoa responder. Converse normalmente sobre assuntos aleatórios e vá conduzindo aos poucos para os pontos que te interessam. Para isso, vale a pena fazer uma lista de tópicos (locais onde moraram, eventos marcantes, crenças, posicionamentos políticos etc) para não esquecer sobre o que falar. Quando se tratam de referências aos antepassados, qualquer assunto é importante para tentar se chegar à informação que procura. Se está em busca da região onde o antepassado nasceu, ao invés de só perguntar “onde fulano nasceu?, tente descobrir quais eram os santos de devoção da família, os pratos típicos e costumes, dentre outas coisas “banais”, que poderão auxiliar em muito sua pesquisa. Por exemplo, as pessoas eram muito religiosas, e costumavam ser devotas dos santos de suas regiões de nascimento, bem como batizavam seus filhos com os nomes desses santos.

6 – Tente anotar as informações mais relevantes, para não esquecer. SE, E SOMENTE SE, sentir que isso não intimidará o entrevistado, pergunte se pode gravar a conversa – geralmente as pessoas ficam muito desconfortáveis com isso (eu ficaria!), então é preciso ser delicado com a questão.

7 – Essa é a mais importante: peça para ver fotos, objetos e documentos antigos que o entrevistado tem, mas NUNCA, EM NENHUMA HIPÓTESE, PEÇA EMPRESTADO qualquer destes itens. A tentação é grande, eu sei. Espere a pessoa lhe oferecer, e se ela não o fizer, pergunte se pode fotografar ali mesmo (por isso a câmera ou smartphone com memória, a tecnologia proporciona essas facilidades a nosso favor). Se for muita coisa, pergunte se pode voltar outro dia somente para isso. As pessoas, principalmente idosas, são muito apegadas a suas lembranças (eu nem sou idosa e sou apegada, inclusive). Há um grande receio em emprestar para alguém e a pessoa não cuidar bem do objeto/documento ou até mesmo de se esquecer de devolvê-lo. Se, na primeira foto que ela mostrar você já pedir emprestado, provavelmente a inibirá, deixando de mostrar coisas muito interessantes com receio de você também pedir – e como ficar negando empréstimo também é desconfortável, ela achará melhor nem mostrar.

8 – Depois de tudo anotado e fotografado, agradeça e lembre à pessoa o quanto ela te ajudou. Se possível, dê alguma satisfação de sua pesquisa depois de um tempo, pois ela se sentirá útil e poderá lembrar de mais informações para lhe contar.

9 – Organize (da forma que julgar mais conveniente) todas as informações que coletou nas entrevistas, e tente montar o quebra-cabeças, encontrando pistas que poderão ser úteis. Elas irão ajudar a dar um norte em sua pesquisa, como quais locais visitar ou pesquisar, datas etc.

Caso as visitas sejam impossíveis ou infrutíferas, seja por estar morando longe dos parentes ou por estes se recusarem a conversarem com você (há aqueles que se acham os proprietários vitalícios de informações sobre a família e não compartilham nada), será preciso se contentar com a “pesquisa na unha”, ou seja, visitar cartórios, arquivos, órgãos públicos, cemitérios etc, para conseguir maiores informações.

O importante é não desistir!

 

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