Inserindo nomes e sobrenomes na árvore genealógica

Quando começamos a montar nossa árvore genealógica formalmente (seja por meio de sites especializados, programas para computador, planilhas ou impressos), em algum momento surgirá a dúvida sobre como introduzir alguns nomes, principalmente o de mulheres ou de pessoas com origem não brasileira. Portanto, preparei algumas dicas para te auxiliar nesta jornada – não são obrigatórias, mas podem indicar o caminho. É importante que, uma vez adotado um dos critérios, ele deve ser sempre seguido em sua árvore, para que seja mantida a coerência do conjunto.

Casamento de servidores no jardim do Palácio Campos Elíseos (São Paulo, 1960). Acervo APESP.

Sobrenomes de mulheres

Os sobrenomes das mulheres devem SEMPRE constar como de solteira, isso é ponto pacífico na genealogia e não há o que discutir. Se houver acréscimo de sobrenomes após o casamento, este novo nome deve constar em campo de nomes alternativos (se não houver, introduza uma nota em algum local do perfil desta pessoa, mas nunca no nome que a identifica). Se encontrar documento onde conste somente o nome e um sobrenome que é visivelmente o do esposo, coloque somente o nome. Por exemplo: Maria dos Santos (cujo esposo é Francisco Rodrigues dos Santos), deve constar apenas como Maria, até você encontrar seu sobrenome de solteira.

Sobrenomes extensos demais ou uso de “nome artístico”

Pode acontecer de encontramos algum antepassado ou parente com um nome extenso demais (mais de 5 nomes ou sobrenomes), que não o utilizava cotidianamente (isso é comum em batismos de famílias mais abastadas, onde uma pessoa poderia ter vários nomes próprios), ou que era um notório artista (escritor, pintor, músico, escultor, ator etc.) que utilizava um nome que não era o seu de batismo ou civil. Nesses casos, principalmente quando não houver registro civil, recomendo definir como principal o nome que a pessoa mais utilizava (verificado pela citação em assentos ou na assinatura em documentos, por exemplo), ficando seu nome completo ou original indicado no campo “nomes alternativos” ou similar.

Sobrenomes variáveis ao longo da vida

Geralmente quando estamos pesquisando famílias de origem portuguesa, do século XIX para trás, nos deparamos com essa surpresa dos sobrenomes variáveis. Isso era muito comum na cultura portuguesa, e como, dependendo da época, não havia registro civil, as pessoas costumavam variar seu sobrenome de acordo com a importância deste, resgatando sobrenomes de antepassados em substituição aos atuais. Além disso, algumas mulheres iniciavam a vida adulta com o sobrenome devocional e depois de um tempo adotavam o sobrenome de sua família (por exemplo, tenho uma antepassada que no casamento era identificada como Ana Maria da Conceição e depois no batismo dos filhos era conhecida como Ana Soares de Vasconcelos – sobrenomes de seu avô materno). Nesses casos, como não havia registro civil, recomendo indicar como principal a combinação que aparecer mais vezes nos registros ou a utilizada no auge da vida adulta, ao invés de adotar o primeiro registro como verdade incontestável.

Nomes ou sobrenomes traduzidos ou “aportuguesados”

Este caso ocorre muito com registros de italianos, mas de outras nacionalidades também. Quando se tratar de pessoa nascida em outro país, cujos registros de casamento ou de filhos no Brasil conste com grafia diferente do nome original (Giuseppe se tornar José – um clássico – ou Pozzobon se transformar em Possibom), recomendo que sempre seja inserido o nome e sobrenome conforme consta no assento de batismo ou civil no país de origem. No famoso campo “nomes alternativos” pode ser inserido o nome conhecido no Brasil. Veja que aqui não é o caso de mudança de sobrenomes ou uso de nome artístico, citados anteriormente, a questão é a grafia correta de nomes e sobrenomes estrangeiros, que deve sempre ser observada. O dos descendentes também deve ser o que consta no registro civil ou de batismo, ainda que com grafia incorreta (se houve retificação, que conste como foi corrigido).

Grafia de nomes antigos

Conforme vamos retrocedendo no tempo em nossas pesquisas, começamos a nos deparar com grafias antigas para certos nomes e sobrenomes de origem espanhola ou portuguesa. O pesquisador deve decidir se irá manter todos os registros tais como o original, ou irá convertê-los para a grafia atual. Um exemplo: Hierônimo (Jerônimo), Cardozo (Cardoso), (Ana), Crasto (Castro). Além dessa variação, há o caso do escriba do assento não saber escrever o nome ou sobrenome corretamente, por isso eu prefiro atualizar a grafia, a fim de facilitar a localização de pessoas por sobrenome e a pesquisa em bancos de dados e livros (que provavelmente irão utilizar grafias mais modernas). Porém, essa é uma questão pessoal, que deve ser decidida assim que iniciar sua árvore.

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